Teve lugar em Leipzig, Alemanha, no passado dia 18 de Maio, uma reunião da Assembleia Geral da CECIMO, a associação europeia que representa a indústria de fabricantes de máquinas-ferramenta e da qual a AIMMAP faz parte.
Na sequência da referida reunião, a CECIMO divulgou as principais conclusões registadas, as quais auguram boas notícias para este tão importante sector da indústria europeia.
O primeiro ponto positivo a registar é o de que as encomendas de máquinas-ferramenta tiveram uma subida nos últimos 4 meses de 2009 nos países da CECIMO, depois de uma descida de mais de 50% nos primeiros 4 meses do mesmo ano (em comparação com o mesmo período no ano anterior), como consequência da crise financeira. O Presidente da CECIMO explicou em todo o caso a este respeito que “tendo em conta os atrasos das encomendas, ainda irão tardar algumas semanas mais antes que este crescimento seja efectivamente notado nas vendas”.
O crescimento da indústria europeia das máquinas-ferramenta é motivado por um aumento do consumo nos mercados emergentes, com especial ênfase na China.
Aliás, deve acrescentar-se que, apesar da crise severa verificada no sector em 2009, a fatia do mercado global de máquinas-ferramenta exportadas dos países da CECIMO cresceu de 55% para 61%. Tal circunstância é demonstrativa da competitividade do sector europeu nos mercados globais. A CECIMO tem confiança em que esta tendência se mantenha em 2010.
No que concerne especificamente ao consumo europeu, a CECIMO está todavia consciente de que ainda vai demorar mais algum tempo para que o mesmo recupere. Na verdade, o investimento em bens de equipamento nas indústrias tradicionais de consumo final continua lento, a capacidade de utilização está abaixo da média e o crédito continua difícil de obter, especialmente nas empresas mais pequenas. A instabilidade financeira actual, associada aos débitos soberanos de alguns países europeus, podem também impedir o cash flow indispensável para que a indústria europeia possa investir em equipamentos de produção modernos e eficientes do ponto de vista energético.
Por outro lado, sublinha a CECIMO que a mudança geográfica do consumo de máquinas-ferramenta em direcção aos mercados emergentes da Ásia e América Latina, faz com que seja necessário que a indústria europeia de máquinas-ferramenta obtenha acesso livre e não discriminatório a esses mesmos mercados.
“A crise económica levou a que, infelizmente, alguns reflexos nacionais ressurgissem, demonstrados pelas iniciativas de pequena escala, que são mais vezes um obstáculo do que uma ajuda à economia”, afirmou o Presidente do Comité Económico da CECIMO. Estes obstáculos (como a regulamentação às importações de máquinas na Coreia do Sul, recentemente introduzida) têm, muitas vezes, a forma de certificação local com custos acrescidos, ou de atrasos na obtenção de licenças de importação ou exportação.
Espera-se que os acordos de livre comércio, como o acordo EU/Coreia do Sul, eliminem essas barreiras não tarifadas. A CECIMO é, desta forma, uma forte defensora deste acordo. E embora entenda a posição de alguns sectores, em relação a algumas questões relacionadas com a introdução de cláusulas de salvaguarda nesse âmbito, a CECIMO pede que o Conselho Europeu aceite uma implementação provisória da FTA, antes de o Parlamento Europeu dar o seu consentimento final.
Por outro lado ainda, a CECIMO tem grandes expectativas em relação às duas recentes iniciativas lançadas pela Comissão Europeia: a Estratégia Europeia para as Tecnologias Chave e a Estratégia EU 2020, que deve incluir a política industrial da EU. A CECIMO está directamente envolvida na iniciativa das tecnologias chave, através do seu Vice-Presidente Javier Eguren, o qual integra o grupo de mais alto nível, como representante do subsector de Sistemas Avançados de Produção.
A CECIMO está confiante em que a União Europeia estabeleça o quadro regulatório necessário para que este sector de máquinas-ferramenta na Europa seja reconhecido como inteligente, verde, inovador e globalmente competitivo no futuro.